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		<title>the dark of the matinée is ours.</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 21:10:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu sou naturalmente exagerada e hiperbólica, com uma séria tendência a discorrer durante horas sobre os acontecimentos mais banais. Então escrever um pequeno texto sobre algo épico é mais do que desafiador. É virtualmente impossível. Sim, o show do Franz Ferdinand, na última sexta-feira (19), foi épico. Histórico. Pergunte a qualquer um que tenha presenciado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=62&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter"><a href="http://lameorcasual.files.wordpress.com/2010/03/20_mhg_cult_franz1.jpg"></a></div>
<p style="text-align:center;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img title="can't stop feeling. " src="http://blogues.cyberpresse.ca/brunet/wp-content/uploads/2009/01/franz-ferdinand-tonight.jpg" alt="" width="400" height="400" /><p class="wp-caption-text">can&#39;t stop feeling. </p></div>
<p>Eu sou naturalmente exagerada e hiperbólica, com uma séria tendência a discorrer durante horas sobre os acontecimentos mais banais. Então escrever um pequeno texto sobre algo épico é mais do que desafiador. É virtualmente impossível. Sim, o show do Franz Ferdinand, na última sexta-feira (19), foi épico. Histórico. Pergunte a qualquer um que tenha presenciado a explosão de sons, cores e champagne. O equivalente a uma grande descarga elétrica. Deixamos a Fundição Progresso com uma bem-vinda sensação de total exaustão mental e física. Ouvidos preenchidos por zumbidos, cérebro dominado pela música. E o efeito não deve passar tão cedo.</p>
<p>Nosso grupo praticamente iniciou a fila com 8 horas de antecedência &#8211; completamente desnecessário, diga-se de passagem &#8211; e passou a tarde jogando poker, super trunfo, uno e entoando &#8220;Ulysses&#8221;, &#8220;Take me out&#8221; e &#8220;Jacqueline&#8221; com direito a guitarras e baixos imaginários. Pintamos cartazes, desenhamos em balões e disfarçamos muito bem a ansiedade pelo início do show&#8230;até os portões se abrirem e corrermos pelas nossas vidas em direção à grade.</p>
<p>A nuvem de calor era palpável. E depois de muitas horas no sol, não estávamos exatamente hidratados. Em meio a empurrões e disputas territoriais dignas de War, não foram poucas as pessoas que desmaiaram, para total desespero dos seguranças. Mas nada disso pareceu ter a mínima importância quando os escoceses invadiram o palco com &#8220;Bite Hard&#8221;. O setlist foi espetacular. Kapranos, McCarthy, Hardy e Thomson dominaram o mundo por quase duas horas.</p>
<p>Sem deixar de lado as canções do &#8220;Tonight&#8221;, clássicos como &#8220;Michael&#8221;, &#8220;Auf Achse&#8221; e &#8220;The Fallen&#8221; foram perfeitamente integrados à mistura. E a platéia delirou quando os quatro assumiram a percussão e quase destruiram a bateria em &#8220;Outsiders&#8221;. Kapranos subiu no amplificador, McCarthy escalou as estruturas do palco. Uma tentativa desastrosa de &#8216;parabéns&#8217; em portunglês pareceu ser suficiente para orgulhar o vocalista. A interação foi perfeita. Banda e público estavam em perfeita sintonia, se dedicando inteiramente ao momento.</p>
<p>Talvez por isso Kapranos tenha decidido nos presentear com um majestoso stage dive. Passamos o show inteiro esticando os braços toda vez que alguém ameaçava se aproximar da grade, sem sucesso. Até que Alex chegou bem perto, pediu autorização, sinalizou que iria pular e voou. Alguns momentos transcorrem em câmera lenta. Foi o caso. Eu tento parecer uma pessoa séria e alheia à histeria adolescente, mas por vezes não tenho sucesso. Céus, Alex Kapranos iria pular em cima de mim. Estiquei os braços com um sorriso besta e, enquanto ele caia, dois pensamentos batalhavam na minha cabeça: &#8220;Meu Deus, Alex Kapranos está pulando em cima de mim!&#8221; e &#8220;É, é assim que eu vou morrer&#8221;. E eu não estava muito errada. Vivi algo muito parecido com a cena da manada atropelando Mufasa em &#8220;O Rei Leão&#8221;. Quando eu e mais meia dúzia de pessoas seguramos Alex no ar, outras muitas o puxaram para baixo ou pularam descontroladas na ânsia de tocá-lo. Quando o derrubaram, obviamente, me derrubaram. Fiquei imóvel no chão da Fundição Progresso, não por escolha própria, mas porque alguns outros 10 fãs também caíram por cima de mim. Meu pé foi esmagado, não conseguia mexer meus braços e enxergava paralisada as cenas que se sucediam logo acima da minha cabeça. Uma menina quase desmaiou do meu lado, outra gritava que iria quebrar o braço e eu simplesmente não conseguia falar nada. Olhei ao redor, puxei a barra da calça de um garoto logo atrás de mim. O rapaz era uma alma solícita e se esforçou bastante para me tirar dos &#8220;escombros&#8221;. Passei alguns minutos completamente muda até que encontrei Sofia e os outros correndo na minha direção, me abraçando e perguntando se eu estava bem. E eu, inexplicavelmente, estava muito, muito bem. Mais viva e agitada do que nunca. Afinal, eu quase fui esmagada por Alex Kapranos. O quão estranhamente legal é isso?</p>
<p>E como o que não vira tragédia se transforma em uma ótima história, saímos todos muito contundidos e satisfeitos com a nossa saga. Orgulhosos por termos presenciado um show maravilhoso e aliviados por estarmos inteiros, com exceção da audição seriamente prejudicada, alguns roxos e joelhos esfolados. E que venha o próximo espetáculo. Franz Ferdinand nunca é demais.</p>
<br />Filed under: <a href='http://lameorcasual.wordpress.com/category/shows/'>shows</a> Tagged: <a href='http://lameorcasual.wordpress.com/tag/franz-ferdinand/'>franz ferdinand</a>, <a href='http://lameorcasual.wordpress.com/tag/megazine/'>Megazine</a>, <a href='http://lameorcasual.wordpress.com/tag/shows/'>shows</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/62/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=62&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>sobre mocinhos e vilões.</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 13:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Megazine]]></category>
		<category><![CDATA[Vilões]]></category>
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		<description><![CDATA[Eles usam maçãs envenenadas, armas de destruição em massa ou as próprias mãos. São leões, extraterrestres, zumbis e pessoas. Permanecem no limiar entre o repugnante e o atraente. Por que somos fascinados por vilões? Sem ter a mínima pretensão de provar &#8211; ou sequer sugerir &#8211; a tendência à crueldade em cada um de nós, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=59&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Eles usam maçãs envenenadas, armas de destruição em massa ou as próprias mãos. São leões, extraterrestres, zumbis e pessoas. Permanecem no limiar entre o repugnante e o atraente. Por que somos fascinados por vilões?</div>
<p></p>
<div id="_mcePaste">Sem ter a mínima pretensão de provar &#8211; ou sequer sugerir &#8211; a tendência à crueldade em cada um de nós, preciso discordar de Rousseau e sua teoria do &#8220;bom selvagem&#8221;. Segundo o filósofo, o homem seria um ser naturalmente bondoso e inocente, corrompido pela sociedade. Longe de acreditar que a maldade é inerente ao ser humano, penso que o individualismo é. O homem nasceria com um instinto natural de autopreservação que o faria agir pensando primeiramente em si, sem noções de limites ou regras de conduta. Porém, ainda bebês aprendemos o que é culturamente certo. O errado é tolido é delegado ao submundo das emoções humanas. É negativo para a coletividade, gera uma série de problemas.</div>
<div id="_mcePaste">Já leram &#8220;O Senhor das Moscas&#8221;? É mais ou menos assim. Sem as amarras da sociedade, isoladas em uma ilha, um grupo de doces crianças acaba revelando traços de tirania e crueldade. Visando a sobrevivência e o poder, defendem interesses próprios a todo custo. Não somos serial killers em potencial, mas sem as leis e regras &#8211; sejam estas previstas na Constituição ou aprendidas em casa &#8211;  acredito que teríamos uma propensão maior à selvageria. Claro que esse pensamento incomoda muita gente, afinal, somos seres humanos. Superiores, dotados de racionalidade. Parece incoerente que exista uma tendência ao caos.</div>
<p></p>
<div id="_mcePaste">Enfim, do que eu estava falando mesmo? Ah, claro, vilões. Essa história foi basicamente para resumir um dos pontos que justificaria nossa atração pela vilania. Todos eles extravasam e personificam emoções relativamente naturais em cada um de nós, suprimidos a todo instante. Inveja, raiva, egoísmo. Não nos identificamos com a maldade em si. Ninguém pretende pegar um sabre de luz e cortar cabeças &#8211; eu acho. Mas conseguimos entender os sentimentos, são mais humanos do que a santidade e a benevolência dos heróis. Mocinhos fazem com que nos sintamos pequenos; diminuídos perante sua glória, sua grandeza, seu altruísmo sem medidas. Mocinhos estão em um pedastal fora do nosso alcance; vilões rastejam na lama. Lembram que por vezes também somos mesquinhos. Incomodam e aliviam, de uma maneira completamente paradoxal.</div>
<p></p>
<div id="_mcePaste">Outra fator certamente determinante é a maneira como roteiristas e produtores constroem seus personagens. Por muito tempo, só conhecemos o preto e o branco, o bem e o mal. Até que surgiram as escalas de cinza. Os complexos, as motivações, as dúvidas. Surgiram alguns vilões geniais, afastados do estereótipo clássico e distantes dos planos de dominação mundial com risadas maléficas. E os heróis? Continuam no pedestal. Epítomes da sabedoria, acima de qualquer sentimento mundano. Para não ser injusta, digo logo que existem heróis fantásticos, projetados com maestria. Mas ainda prevalecem aqueles que o público classificaria como &#8220;sem graça&#8221;.</div>
<p></p>
<div id="_mcePaste">Fiz uma pesquisa rápida com amigos antes de começar esse texto. Perguntei quais eram seus vilões favoritos. As respostas foram bem variadas: Darth Vader, a jovem promessa que cedeu ao lado negro; a dupla-personalidade conflitante de Gollum; o canibal Hannibal Lecter e o quase shakesperiano, Scar (alguém dúvida de que &#8220;Rei Leão&#8221; seja &#8220;Hamlet&#8221;, na savana?). Outro que merece destaque é Benjamin Linus, o personagem absolutamente imprevisível de &#8220;Lost&#8221;, situado em algum ponto entre a verdade e a mentira, pecado e redenção. E como esquecer do Coringa, cujos objetivos e motivações não vão além do completo caos?</div>
<p></p>
<div id="_mcePaste">Impossível não ficar intrigado com essas figuras. Nosso fascínio é justificado. Contudo, acho que o grande acerto é criar personagens que tenham em si a luz e a escuridão. Assim como cada um de nós. Um desses exemplos seria Gregory House, personagem principal da maravilhosa série de mesmo nome. É o médico e o monstro; Dr. Jekyll e Mr. Hyde. O mérito de House é conseguir expor tantas nuances, tantas facetas com tamanha suavidade e inteligência. Não nega, não afirma, não mostra o certo ou o errado. Sugere. Traz o incompleto, o triste. E o que salva vidas. Oscila como o ser humano e atrai como nenhum mocinho ou vilão.</div>
<br />Publicado emMegazine, Vilões Tagged: House, Megazine, Vilões <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/59/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=59&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>dicotomia.</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 12:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Acredito que não existe uma maneira de dobrar à direita ou virar à esquerda sem encontrar uma bifurcação. Não precisa abrir o mapa; não me refiro a endereços, mas ao radicalismo nas concepções políticas. Assumo: eu sou uma extremista. Qualquer um que me conheça há mais de 2 horas sabe que adoro fazer longos discursos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=57&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que não existe uma maneira de dobrar à direita ou virar à esquerda sem encontrar uma bifurcação. Não precisa abrir o mapa; não me refiro a endereços, mas ao radicalismo nas concepções políticas. Assumo: eu sou uma extremista. Qualquer um que me conheça há mais de 2 horas sabe que adoro fazer longos discursos empolgados reiterando minha paixão por coisas banais como o cappuccino da esquina, ou meu ódio mortal por algum filme. Sou assim com praticamente tudo. As únicas exceções são exatamente as duas coisas que mais provocam debates calorosos em mesas de bar, almoços de domingo ou cadeiras de universidades: religião e política.</p>
<p>Em relação à primeira, me apego à certeza de que nada posso afirmar e me considero agnóstica. Já sobre a segunda, se fossem necessários rótulos que procuro evitar, me consideraria uma esquerdista. Apóio o investimento em determinadas políticas sociais e um Estado presente o suficiente para suprir necessidades como educação e saúde, além de fiscalizar as &#8220;mãos invisíveis&#8221; do mercado e seus demais tentáculos. Tudo conduzido com consciência e transparência, sem delírios de grandeza.</p>
<p>Contudo, procuro analisar cada situação de maneira equilibrada, sem assumir posições precipitadas ou sair por aí culpando o sistema sem conhecimento de causa. O que tentei expressar na primeira frase foi exatamente isso. Penso que o mais lógico &#8211; ao invés de bravatas e disputas ideológicas &#8211; seria procurar soluções conjuntas. Minha sugestão provavelmente é mais utópica do que a idéia de Thomas Morus, mas não posso evitar pensar que o atual estado das coisas só reforça o caráter de espetáculo de qualquer medida. Há uma constante tentativa de demonizar oponentes ou escolher lados que personificariam o bem e o mal, como se tudo pudesse ser traduzido nessa simples equação.</p>
<p>Como o próprio Guy Debord &#8211; aquele da Sociedade do Espetáculo &#8211; explicou, a insatisfação tornou-se também uma mercadoria. Muito é dito, muitos dedos são apontados, sem que nada de novo seja sugerido ou posto em prática. Grande parte dessa responsabilidade pode ser atribuida ao radicalismo e à alienação. Sem conhecimento e reflexão, existirão sempre dois lados gritando palavras ao vento. Mudanças, revoluções e reais tentativas de melhora acabam se perdendo no vazio do espetáculo, transformadas em mera imagem para consumo vazio, sem consistência. Não estou apoiando um multilateralismo cínico e hipócrita que só serve aos próprios interesses e preocupações individuais. Mas sugerindo uma interpretação de cada situação com cautela, sem escolher vilões e mocinhos e se perder em argumentos ridículos.</p>
<p>Não sei se consegui ser clara. Esse assunto é extremamente delicado e subjetivo. O que me motivou a escrever foi minha incompreensão diante do aparente fracasso dos esforços do presidente Barack Obama em implantar um sistema de saúde pública, nos Estados Unidos. Seu projeto é ignorado ao som de acusações de &#8220;comunismo&#8221; e &#8220;socialismo&#8221;. Toda a racionalidade da proposta é reduzida a rótulos, suposições, gritos sem sentido e tentativas de ridicularizar o oponente. Muitos nem ao menos sabem do que se trata.</p>
<p>Enfim, esse texto pode ser tudo, menos uma ode à esquerda ou à direita. Eu o classificaria como uma tentativa de louvar a reflexão, a compreensão e a análise cautelosa das situações, antes de levantar quaisquer bandeiras.</p>
<p>***</p>
<p>Na segunda-feira, eu, Sofia e mais alguns amigos assistimos o novo Tarantino, &#8220;Bastardos Inglórios&#8221;. Além de um torcicolo por ter sentado na 3ª fileira e a certeza de que meu alemão é uma droga, saí do cinema com a impressão de que tinha acabado de assistir um dos melhores filmes do diretor. E, quem sabe, um dos melhores filmes que já vi. Comento mais sobre ele na próxima semana.</p>
<br />Publicado emMegazine, Política Tagged: Bastardos Inglórios, Megazine, Política <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=57&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>aqui. lá. em todo lugar.</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 12:47:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Lá em casa todo mundo sempre foi fã de rock. Quer dizer, quase todo mundo. As lembranças que envolvem minha mãe têm como trilha sonora o ritmo melódico dos irmãos Carpenters. Ela começava a arrumar a casa e, junto com o cheiro suave dos produtos de limpeza, vinha o &#8220;lá-lá-lá&#8221; de &#8220;Sing a song&#8221;. Mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=54&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img alt="" src="http://www.vcviu.com.br/wp-content/uploads/2009/08/beatles.gif" title="fab four. " width="400" height="280" /><p class="wp-caption-text">fab four.</p></div>
<p>Lá em casa todo mundo sempre foi fã de rock. Quer dizer, quase todo mundo. As lembranças que envolvem minha mãe têm como trilha sonora o ritmo melódico dos irmãos Carpenters. Ela começava a arrumar a casa e, junto com o cheiro suave dos produtos de limpeza, vinha o &#8220;lá-lá-lá&#8221; de &#8220;Sing a song&#8221;. Mas meu pai sempre foi fã de rock. Lembro de escutar os mesmos CDs em loop, uma mistura que trazia Rolling Stones, The Who e Queen para o banco do carona. Sem nem ao menos saber qual era qual &#8211; ou o que eles estavam dizendo &#8211; eu e meu irmão competíamos com Freddie Mercury para ver quem cantava &#8220;We&#8217;re the champions&#8221; mais alto.</p>
<p>Mas, se a memória não falha, uma das primeiras músicas era sempre &#8220;Yellow Submarine&#8221;, dos Beatles. Mal abríamos a porta do Uno prata &#8211; que graças à mudança de emprego de papai se transfigurou em um Vectra vermelho &#8211; e o Ringo começava: &#8220;In the town where I was born&#8230;&#8221;. Para ser bem sincera, eu nem achava a música tão boa assim. Porém, era uma das poucas que conseguia entender aos 8 anos. O ritmo repetitivo e contagiante era irresistível e lá íamos eu e meu irmão, balançando a cabeça enquanto o carro corria no asfalto e nós imaginávamos o mar.</p>
<p>Por algum tempo, esse foi minha referência do que eram os Beatles. &#8220;Twist and shout&#8221;, &#8220;Anna&#8221;, &#8220;Girl&#8221; e &#8220;Let it be&#8221; completavam meu repertório ridículo. Mesmo com uma lista tão irrisória, os 4 ingleses exerciam um fascínio estranho sobre mim. Até que numa bela tarde de inverno (obviamente, essa é uma referência inventada), resolvi conhecer os Beatles. Conhecer mesmo. Então, crianças, essa é a bela e fascinante história de como eu me apaixonei pela banda.</p>
<p>Mas por que eu estou entediando vocês com minha infância? Tudo isso foi só para dizer que os Beatles estão de volta &#8211; não que alguma vez eles tivessem sido esquecidos. The Beatles: Rock Band é o sonho de consumo de 10 entre 10 guitarristas nerds de Wii. Estou incluída nessa lista. Além disso, os CDs remasterizados e a proximidade do provável-show-lendário do Paul, no Maracanã, só contribuem para reiterar a frase do John: os Beatles são mais populares do que Jesus. Pelo menos para o Google.</p>
<p>Com toda essa febre de Liverpool, os beatlemaníacos estão em êxtase! E eu senti a necessidade de extravasar meu vício pela banda dividindo com vocês minha lista das 10 músicas mais interessantes dos Beatles. É importante esclarecer que existem pessoas verdadeiramente habilitadas para fazer uma lista das 455.000 canções que você deve ouvir antes de morrer ou coisas do gênero, mas essa não é minha proposta. Nem sequer afirmo que são as melhores músicas dos Beatles &#8211; até porque esse é um conceito extremamente subjetivo. Mas com certeza são canções que fizeram toda diferença na história do rock e da música.</p>
<p><strong>Something</strong> &#8211; Concordo com Frank Sinatra quando ele diz que &#8220;Something&#8221; é uma das maiores canções de amor. Não faz juras de paixão eterna. George Harrison canta a dúvida e a certeza de que existe alguma coisa, sem necessidade de maiores definições e promessas.</p>
<p><strong>Maxwell&#8217;s Silver Hammer</strong> &#8211; Leva um certo tempo para notar que a melodia infantil e doce fala de um serial killer e seu martelo de prata. Depois que você percebe, é impossível ouvir as agudas marteladas de Maxwell sem olhar para trás, um tanto receoso.</p>
<p><strong>Eleanor Rigby</strong> &#8211; Não tenho uma música favorita dos Beatles, mas se precisasse escolher uma, Eleanor Rigby estaria entre as candidatas. É difícil não se perguntar &#8220;All the lonely people, where do they all belong?&#8221; ao ouvir a história da mulher que juntava o arroz no chão da igreja após os casamentos. Tudo isso ao som de violinos.</p>
<p><strong>I am the Walrus</strong> &#8211; Uma vez li a descrição perfeita: &#8220;Surrealismo capturado em uma canção&#8221;.  &#8221;I am the walrus&#8221; faz tantas referências &#8211; absolutamente incompreensíveis, algumas vezes &#8211; que provavelmente levaria algumas páginas tentando explicar. King Lear, Through the Looking Glass&#8230;acabaria com toda a graça. Eu sou ele, você é ele, você sou eu e nós estamos todos juntos. Goo Goo G&#8217;joob.</p>
<p><strong>A Day in the Life</strong> &#8211; Uma das parcerias mais brilhantes entre Paul e John. O som ensurdecedor da orquestra e o &#8220;I&#8217;d love to turn you on&#8221; já foram interpretados de diversas maneiras. Mas na minha humilde opinião, a música fala de anestesia, de inércia, de como permanecemos impassíveis diante das notícias, dos acontecimentos e dos dias que passam.</p>
<p><strong>Nowhere Man</strong> &#8211; Além da maravilhosa estrutura melódica, as letras de &#8220;Nowhere Man&#8221; me encantam. Já conversei com algumas pessoas que não enxergaram nada demais, mas provavelmente me identifico com o homem de lugar nenhum. &#8220;Isn&#8217;t he a bit like you and me?&#8221;.</p>
<p><strong>The Fool on the Hill</strong> &#8211; Mais uma vez, a estrutura melódica e o instrumental me conquistaram completamente. Posso ouvir essa música por horas. E o personagem retratado é tão curioso que nem sequer consigo formam uma opinião positiva ou negativa sobre ele.</p>
<p><strong>Hey, Bulldog</strong> &#8211; Rock ligeiramente mais agressivo, com um tom de blues e direito a latidos. O que poderia ser melhor?</p>
<p><strong>Come Together</strong> &#8211; Para mim, essa música pode ser sobre tudo, menos sobre Timothy Leary e sua campanha contra Reagan. Nem tento sugerir outra interpretação, o melhor é ser levado pela voz do John e lembrar que essa é a canção de abertura do Abbey Road. Apesar de não ter uma música favorita, tenho um álbum favorito. E é esse.</p>
<p><strong>Golden Slumbers/Carry that Weight/The End</strong> &#8211; O final perfeito para o álbum perfeito &#8211; sem contar o genial bônus de alguns segundos, &#8220;Her Majesty&#8221;. O melhor pout-pourri da história, quase como revisitar a carreira dos Beatles. Aliás, a última frase resume muito bem toda a mensagem da obra dos Fab Four: &#8220;And in the end, the love you take is equal to the love you make&#8221;. Tão simples e tão brilhante.</p>
<p>Estou me sentindo incrivelmente mal por não ter incluído algumas de minhas músicas favoritas como &#8220;Happiness is a warm gun&#8221;, &#8220;While my guitar gently weeps&#8221;, &#8220;Across the Universe&#8221;, a fofa &#8220;Honey Pie&#8221; e praticamente todas as outras. Mas acredito que já excedi o número aceitável de linhas para um blog! Peço desculpas a quem não gosta da banda e não encontrou o mínimo sentido nesse post. Mas também recomendo que dêem uma nova chance aos Beatles, sob o risco de aderir a esse grupo de fãs obcecados.</p>
<br />Publicado emBeatles, Megazine Tagged: Beatles, Megazine <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/54/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=54&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>my way.</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 16:47:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nota: Howdy! Hoje estou animada. Enfim, postarei meu segundo conto para a aula de &#8220;Oficina de Produção Textual&#8221;. A proposta dessa semana foi escrever sobre um personagem conhecido, um dos colegas de classe. Acho que esse texto funciona segundo a lógica de uma piada interna: só tem significado para quem conhece o tal personagem. Porém, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=47&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nota: Howdy! Hoje estou animada. Enfim, postarei meu segundo conto para a aula de &#8220;Oficina de Produção Textual&#8221;. A proposta dessa semana foi escrever sobre um personagem conhecido, um dos colegas de classe. Acho que esse texto funciona segundo a lógica de uma piada interna: só tem significado para quem conhece o tal personagem. Porém, eu gosto de acreditar que a leitura é, no mínimo, agradável. Sugestões e críticas são incentivadas, mais uma vez.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>My way</strong></p>
<p>O fim deveria ser mais ou menos como o término de um grande espetáculo teatral. Caem as cortinas, os atores recolhem-se às suas coxias, agradecimentos, aplausos.  Não era que o seu estivesse próximo, muito pelo contrário. Mas ele era uma daquelas pessoas que gostavam de se recolher ao setor empoeirado da mente humana, habitado por personagens há muito não vistos e cenários há muito não freqüentados. Relembrava pelo bem da nostalgia e do metodismo – lhe agradava a idéia de fazer um balanço de sua vida até o momento. Mas, não, o fim não estava próximo.</p>
<p>Sentou-se a beirada do sofá e contemplou a sala sobriamente decorada. Os móveis e aparatos eram de uma elegância convidativa, confortável. Na parede imediatamente oposta, um Sinatra jovem o encarava. Ele respondeu com o esboço de um sorriso e um gesto embaraçado. O pôster francês &#8211; que havia sido lembrança de um amigo &#8211; sempre provocava aquela reação, mesmo após anos. Esticou o braço esquerdo e tateou os botões de seu “stereo”. Sim, ele era o tipo de pessoa que ainda conservava um “stereo” e se divertia com as reações que o objeto provocava. Uma amiga lhe disse certa vez que seu estilo retrô era muito cool, mas ele se considerava um simples conservador irrecuperável. Quando estava em casa, gostava que suas músicas permeassem o ambiente e não atravessassem somente o curto caminho entre os fones e o ouvido.</p>
<p>No rádio, a voz madura de Sinatra saudava a jovem fotografia e cantava os primeiros acordes de “My Way”. Sua favorita. A coincidência havia sido proposital, apesar de não diminuir o encanto da melodia suave e incisiva. Recostou-se no assento acolchoado e deixou que os sustenidos e bemóis o levassem para períodos remotos e queridos. O pai e seus pés na mesinha de centro, o sorriso juvenil da irmã, aninhada no colo da mãe que lhe acariciava os longos cabelos loiros. O que mais valorizava. O que mais almejava. Não desejava a casa branca, a cerca amarela e os sorrisos artificiais de propagandas de margarinas. Queria o apoio, o companheirismo e as ligações eternas.</p>
<p>Viu o colégio e os companheiros de Ensino Médio, com quem aprendeu a sorrir do que não era virtude. As piadas internas, os risos altos, as exclamações, as partidas de War. Os protestos, a insatisfação, a sordidez bem-humorada.</p>
<p>Sinatra cantava seus poucos arrependimentos, seus planos bem calculados, seus passos cautelosos. E ele voltou aos anos de faculdade. Os amigos tão superficialmente idênticos e tão completamente distintos. As discussões intelectuais à luz amarela do restaurante australiano, que logo eram substituídas por divertidas histórias. Lembrou dos ideais, dos sonhos e dos rodízios de pizza. Lembrou da República e de suas reclamações rabugentas sobre os companheiros. Seus comentários sarcásticos reforçavam a idéia de um mau-humor latente. Mas sua rigidez desmoronava durante as conversas animadas sobre o nada.</p>
<p>Ali estava. Percorrendo mentalmente sua estrada de tijolos amarelos. O caminho que o conduziu até ali se bifurcava em distintas trilhas; ainda havia muito a percorrer. Amou, sorriu, chorou, perdeu e ganhou. Disse o que pensou, fez o que sentiu. Preservou sua independência e sua personalidade, sem deixar de ceder aos impulsos e sugestões da vida. E independentemente das ruas que escolheu seguir, fez tudo à sua maneira.</p>
<p>Exatamente à sua maneira.</p>
<br />Publicado emContos Tagged: Contos <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/47/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=47&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ulisses.</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 13:26:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nota:  Conto escrito para a aula de &#8220;Oficina de Produção Textual&#8221;.  Eu tenho tanta certeza de que esse blog só é lido por mim que arriscarei meu pseudônimo. Sugestões e críticas são incentivadas. No dia 10 de janeiro de 1989, às 3 horas e 20 minutos, Ulisses foi amaldiçoado. Não foi um caso de feitiçaria [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=44&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nota:  Conto escrito para a aula de &#8220;Oficina de Produção Textual&#8221;.  Eu tenho tanta certeza de que esse blog só é lido por mim que arriscarei meu pseudônimo. Sugestões e críticas são incentivadas. </em></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">No dia 10 de janeiro de 1989, às 3 horas e 20 minutos, Ulisses foi amaldiçoado. Não foi um caso de feitiçaria antiga, magia negra ou alinhamento de planetas. A responsável foi uma jovem senhora que, após 8 horas de trabalho de parto, respirava ofegante. Sua expressão só poderia ser descrita como um misto de alívio, alegria e resquícios de anestesia. O bebê guinchava, mas eventualmente se acomodou nos seus braços. Havia também um jovem senhor na sala, que trocou um olhar cúmplice com a companheira e balbuciou: “Ulisses”. Manteriam o combinado. A mãe e o pai do bebê-que-viria-a-ser-registrado-como-Ulisses eram grandes fãs da literatura Universal. Em vez de pesquisarem nomes para o rebento em revistas femininas, o casal recorreu aos grandes heróis mitológicos. Pensaram em Aquiles, Perseu, Hércules, mas nenhum era tão grandioso quanto Ulisses. O homem que lutou por 10 anos e sofreu por mais 10 em sua viagem de retorno a Ítaca. Aquele que enfrentou o ciclope Polifemo e o deus Posêidon. O resultado não poderia ser mais desastroso. Para os pais, consequências amenas, como o rótulo de “esnobes” e olhares enviesados das mães de “Joãos” e “Pedros”. Já a criança foi incumbida de um fardo que poucos são capazes ou dignos de carregar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Aos 5 anos, Ulisses foi apresentado à Ilíada e à Odisséia. Suas histórias antes de dormir tratavam de batalhas, honra, inteligência, astúcia e glória. Ulisses, em idade tão tenra, abraçou o urso de pelúcia e só pôde prever que estaria destinado a grandes feitos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ulisses era descrito pelos pais como dono de uma personalidade única e reservada. Um pequeno prodígio introspectivo. Já para as tias velhas da vizinhança, era o anti-social, antipático, alheio as suas doces demonstrações de carinho e apertos na bochecha. As demais crianças de sua idade simplesmente não o notavam, pois se encontravam demasiadamente ocupadas com seus balanços e gangorras e figurinhas e bonecos. Na verdade, Ulisses não era nada disso. Passava horas pensando nas histórias que seus pais contavam. Para ele, só poderia existir um Ulisses. Seu futuro já estava escrito. Os contos eram um presságio, uma descrição acurada do que estaria por vir…e o garoto esperava que chegasse. Não com o vigor e a ânsia de quem almeja algo. Era mais como estar na sala de espera de um dentista e não ter outra escolha, a não ser esperar. Enquanto isso, ocupava-se com revistas velhas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ulisses era apático. Não havia descrição melhor. Seu quarto era decorado sem grandes extravagâncias, seu armário, recheado pelas mesmas camisas pólo em diferentes tons pastéis. Dizer que não tinha muitos amigos implicaria em dizer que tinha algum. Ulisses nunca entendeu os interesses infantis e agora, aos 12 anos, pouco achava graça nas conversas que entreouvia dos seus colegas – pretensos adolescentes. Relações pessoais eram supervalorizadas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Não era que o rapaz fosse um esnobe. Simplesmente nada daquilo o interessava. Tampouco faziam os livros, os filmes, a música, computadores ou pessoas. Ulisses vivia no recanto sombrio, distante do amor e do ódio, conhecido como indiferença. Invejava os que amavam, mas sentia uma vontade imensurável de odiar. Só podia concluir que um sentimento que envolvesse total desprezo por outro ser deveria ser grandioso. Grandioso como Ulisses. Mas o menino não conseguia sentir nada por ninguém. Estavam todos muito ocupados com seus cabelos, suas roupas, seus sorrisos artificiais e suas conversas sobre o tempo. Tudo aquilo era de um tédio mórbido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Contudo, nada o perturbava mais do que sua figura. Nunca havia encontrado o menor sentido em sua existência. Em nenhum momento de seus 14 longos anos, que mais pareciam 80, teve sequer um lampejo. Deus, como Ulisses desejava ter 80! Seu problema nunca foi ser rejeitado por alguém, uma vítima de crianças cruéis que se divertiriam às custas de seu comportamento estranho. Não. Ulisses se rejeitava. Aquela não era a sua história. Devia tanto a si mesmo, devia tanto a Ulisses. Desejava, por vezes, ser como um daqueles meninos de olhos atormentados que trajavam preto e sentavam no fundo da sala, dedicando-se aos quadrinhos, história curtas e letras de rock melódico. Invejava sua insatisfação, seu tormento, suas almas de artistas inconformados. Antes fosse assim, isso o tornaria especial. E seria um ótimo início para a sua Odisséia. O jovem perseguido que se tornou…grandioso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Mas Ulisses não tinha talentos. Não era bom em matemática, física, história ou geografia. Muito menos esportes ou artes. Também não era ruim. Só medíocre; não tinha derrotas ou vitórias. Era vazio de paixões, na verdade. Por vezes, tentou a religião e a política: assistia às pregações de senadores e aos discursos de pastores pela madrugada a fora. De nada adiantou. Seus ânimos não poderiam ser exaltados. Ulisses era o Nada. Se chamava Ulisses, mas tinha alma de João. De Ninguém. Impassível, insignificante e indiferente. E se ao menos se importasse o suficiente com isso, poderia encontrar aí seu grande sinal, sua epifania. Mas ele só podia esperar. O vazio existencial acabaria um dia. Só restaria o vazio, então. E Ulisses.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Seu pai trabalhava em um daqueles majestosos prédios no centro, que pareciam conter todo o resto da cidade em suas paredes espelhadas. O escritório ficava no 19º andar. Após a saída da escola, Ulisses e seus 16 anos passavam ali as tardes, andando em círculos e girando na cadeira executiva.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Aos 20 anos, se debatia entre estudos fracassados e empregos em lanchonetes. Em uma atitude nepotista, justificada pela mais genuína angústia, seu pai o levou para a empresa. Ulisses tinha como únicas responsabilidades organizar arquivos e servir cafés.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Em uma determinada tarde, cansou-se de seu cativeiro. Nele não havia Calipso, Cila, desafios ou promessas. Só a mesma inércia de uma vida à deriva. Tocou as janelas com as palmas abertas e jogou o peso do mirrado corpo sobre os dedos. Encostou a face no vidro frio e sorriu. Gostava da sensação. Era como deitar sobre o Nada. Se lembrou que a brisa lá fora estava agradável para um dia de verão e abriu a tranca. A janela se moveu sem ruídos. Na verdade, o vidro era tão translúcido que Ulisses mal notou alguma diferença, a não ser pelo vento delicado que sacudia as persianas. Subiu no parapeito com algum esforço e ficou na ponta de seus tênis sujos. Contemplou os cadarços e o mundo. Brincou de atravessar o vidro imaginário com pernas e mãos. Chutava e socava o Nada delicadamente, como se o desafiasse a acertá-lo de volta. Mas o Nada continuou impassível e Ulisses parou de lutar. Queria algo. Queria o novo. Queria desejar. Encarou novamente os tênis cinza, os telhados cinza, céu cinza e sentiu-se colorido. Ali, do alto do 19º andar, no parapeito de uma janela, Ulisses encontrou o momento mais lírico de sua insignificante existência. Não era bonito, não era feio. Não era triste, não era alegre. Assim como ele. Era Nada. E Ulisses flertou com o Nada. Não era mais impotente, não se sentia dominado. Era parte dele, queria se fundir à imensidão. Havia algo tão atraente e inspirador sobre o fim. Uma inegável poesia. Talvez por isso não encontrasse significado. Talvez não estivesse destinado a ser Grande, mas, sim, a ser Nada. Nosso Ulisses, para o choque e surpresa de Homero, decidiu não voltar para casa ao fim de sua Odisséia de 20 anos. E, então, voou.</div>
<p><span style="font-style:normal;">No dia 10 de janeiro de 1989, às 3 horas e 20 minutos, Ulisses foi amaldiçoado. Não foi um caso de feitiçaria antiga, magia negra ou alinhamento de planetas. A responsável foi uma jovem senhora que, após 8 horas de trabalho de parto, respirava ofegante. Sua expressão só poderia ser descrita como um misto de alívio, alegria e resquícios de anestesia. O bebê guinchava, mas eventualmente se acomodou nos seus braços. Havia também um jovem senhor na sala, que trocou um olhar cúmplice com a companheira e balbuciou: “Ulisses”. Manteriam o combinado. A mãe e o pai do bebê-que-viria-a-ser-registrado-como-Ulisses eram grandes fãs da literatura Universal. Em vez de pesquisarem nomes para o rebento em revistas femininas, o casal recorreu aos grandes heróis mitológicos. Pensaram em Aquiles, Perseu, Hércules, mas nenhum era tão grandioso quanto Ulisses. O homem que lutou por 10 anos e sofreu por mais 10 em sua viagem de retorno a Ítaca. Aquele que enfrentou o ciclope Polifemo e o deus Posêidon. O resultado não poderia ser mais desastroso. Para os pais, consequências amenas, como o rótulo de “esnobes” e olhares enviesados das mães de “Joãos” e “Pedros”. Já a criança foi incumbida de um fardo que poucos são capazes ou dignos de carregar.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Aos 5 anos, Ulisses foi apresentado à Ilíada e à Odisséia. Suas histórias antes de dormir tratavam de batalhas, honra, inteligência, astúcia e glória. Ulisses, em idade tão tenra, abraçou o urso de pelúcia e só pôde prever que estaria destinado a grandes feitos.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Ulisses era descrito pelos pais como dono de uma personalidade única e reservada. Um pequeno prodígio introspectivo. Já para as tias velhas da vizinhança, era o anti-social, antipático, alheio as suas doces demonstrações de carinho e apertos na bochecha. As demais crianças de sua idade simplesmente não o notavam, pois se encontravam demasiadamente ocupadas com seus balanços e gangorras e figurinhas e bonecos. Na verdade, Ulisses não era nada disso. Passava horas pensando nas histórias que seus pais contavam. Para ele, só poderia existir um Ulisses. Seu futuro já estava escrito. Os contos eram um presságio, uma descrição acurada do que estaria por vir…e o garoto esperava que chegasse. Não com o vigor e a ânsia de quem almeja algo. Era mais como estar na sala de espera de um dentista e não ter outra escolha, a não ser esperar. Enquanto isso, ocupava-se com revistas velhas.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Ulisses era apático. Não havia descrição melhor. Seu quarto era decorado sem grandes extravagâncias, seu armário, recheado pelas mesmas camisas pólo em diferentes tons pastéis. Dizer que não tinha muitos amigos implicaria em dizer que tinha algum. Ulisses nunca entendeu os interesses infantis e agora, aos 12 anos, pouco achava graça nas conversas que entreouvia dos seus colegas – pretensos adolescentes. Relações pessoais eram supervalorizadas.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Não era que o rapaz fosse um esnobe. Simplesmente nada daquilo o interessava. Tampouco faziam os livros, os filmes, a música, computadores ou pessoas. Ulisses vivia no recanto sombrio, distante do amor e do ódio, conhecido como indiferença. Invejava os que amavam, mas sentia uma vontade imensurável de odiar. Só podia concluir que um sentimento que envolvesse total desprezo por outro ser deveria ser grandioso. Grandioso como Ulisses. Mas o menino não conseguia sentir nada por ninguém. Estavam todos muito ocupados com seus cabelos, suas roupas, seus sorrisos artificiais e suas conversas sobre o tempo. Tudo aquilo era de um tédio mórbido.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Contudo, nada o perturbava mais do que sua figura. Nunca havia encontrado o menor sentido em sua existência. Em nenhum momento de seus 14 longos anos, que mais pareciam 80, teve sequer um lampejo. Deus, como Ulisses desejava ter 80! Seu problema nunca foi ser rejeitado por alguém, uma vítima de crianças cruéis que se divertiriam às custas de seu comportamento estranho. Não. Ulisses se rejeitava. Aquela não era a sua história. Devia tanto a si mesmo, devia tanto a Ulisses. Desejava, por vezes, ser como um daqueles meninos de olhos atormentados que trajavam preto e sentavam no fundo da sala, dedicando-se aos quadrinhos, história curtas e letras de rock melódico. Invejava sua insatisfação, seu tormento, suas almas de artistas inconformados. Antes fosse assim, isso o tornaria especial. E seria um ótimo início para a sua Odisséia. O jovem perseguido que se tornou…grandioso.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Mas Ulisses não tinha talentos. Não era bom em matemática, física, história ou geografia. Muito menos esportes ou artes. Também não era ruim. Só medíocre; não tinha derrotas ou vitórias. Era vazio de paixões, na verdade. Por vezes, tentou a religião e a política: assistia às pregações de senadores e aos discursos de pastores pela madrugada a fora. De nada adiantou. Seus ânimos não poderiam ser exaltados. Ulisses era o Nada. Se chamava Ulisses, mas tinha alma de João. De Ninguém. Impassível, insignificante e indiferente. E se ao menos se importasse o suficiente com isso, poderia encontrar aí seu grande sinal, sua epifania. Mas ele só podia esperar. O vazio existencial acabaria um dia. Só restaria o vazio, então. E Ulisses.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Seu pai trabalhava em um daqueles majestosos prédios no centro, que pareciam conter todo o resto da cidade em suas paredes espelhadas. O escritório ficava no 19º andar. Após a saída da escola, Ulisses e seus 16 anos passavam ali as tardes, andando em círculos e girando na cadeira executiva.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Aos 20 anos, se debatia entre estudos fracassados e empregos em lanchonetes. Em uma atitude nepotista, justificada pela mais genuína angústia, seu pai o levou para a empresa. Ulisses tinha como únicas responsabilidades organizar arquivos e servir cafés.</span></p>
<p><span style="font-style:normal;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-style:normal;">Em uma determinada tarde, cansou-se de seu cativeiro. Nele não havia Calipso, Cila, desafios ou promessas. Só a mesma inércia de uma vida à deriva. Tocou as janelas com as palmas abertas e jogou o peso do mirrado corpo sobre os dedos. Encostou a face no vidro frio e sorriu. Gostava da sensação. Era como deitar sobre o Nada. Se lembrou que a brisa lá fora estava agradável para um dia de verão e abriu a tranca. A janela se moveu sem ruídos. Na verdade, o vidro era tão translúcido que Ulisses mal notou alguma diferença, a não ser pelo vento delicado que sacudia as persianas. Subiu no parapeito com algum esforço e ficou na ponta de seus tênis sujos. Contemplou os cadarços e o mundo. Brincou de atravessar o vidro imaginário com pernas e mãos. Chutava e socava o Nada delicadamente, como se o desafiasse a acertá-lo de volta. Mas o Nada continuou impassível e Ulisses parou de lutar. Queria algo. Queria o novo. Queria desejar. Encarou novamente os tênis cinza, os telhados cinza, céu cinza e sentiu-se colorido. Ali, do alto do 19º andar, no parapeito de uma janela, Ulisses encontrou o momento mais lírico de sua insignificante existência. Não era bonito, não era feio. Não era triste, não era alegre. Assim como ele. Era Nada. E Ulisses flertou com o Nada. Não era mais impotente, não se sentia dominado. Era parte dele, queria se fundir à imensidão. Havia algo tão atraente e inspirador sobre o fim. Uma inegável poesia. Talvez por isso não encontrasse significado. Talvez não estivesse destinado a ser Grande, mas, sim, a ser Nada. Nosso Ulisses, para o choque e surpresa de Homero, decidiu não voltar para casa ao fim de sua Odisséia de 20 anos. E, então, voou.</span></p>
<p></em></p>
<br />Publicado emContos Tagged: Contos <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=44&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>futuro emprego.</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 15:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Tédio]]></category>

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		<description><![CDATA[Agora que não corro mais o risco de perder nenhuma aposta (longa história), posso dizer com orgulho que estou absolutamente entediada. Já tentei o twitter, facebook, flickr e até mesmo trabalhar. Mas você só percebe que está mal quando abre o google maps para procurar lugares aleatórios. Então, pensei: &#8220;por que não atualizar meu querido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=39&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 358px"><img src="http://bagnewsnotes.typepad.com/bagnews/images/Kunz-New-Yorker-Subway.jpg" alt="Aguardem..." width="348" height="480" /><p class="wp-caption-text">Aguardem...</p></div>
<p>Agora que não corro mais o risco de perder nenhuma aposta <em>(longa história), </em>posso dizer com orgulho que estou absolutamente entediada. Já tentei o twitter, facebook, flickr e até mesmo trabalhar. Mas você só percebe que está mal quando abre o google maps para procurar lugares aleatórios.</p>
<p>Então, pensei: &#8220;por que não atualizar meu querido novo blog?&#8221;. Mas isso implicaria em ter algo para falar e&#8230;bem&#8230;eu não tenho. Na verdade, poderia até contar algumas histórias divertidas sobre surtos psicóticos que presenciei nos últimos dias, mas isso fica para outra hora. Resolvi compartilhar com vocês meus planos profissionais.</p>
<p>A grande maioria dos colegas jornalistas dá um sorriso tímido ao falar &#8220;ah, queria tanto trabalhar na Globo&#8230;sonhar não custa nada, né? hi-hi&#8221;. Globo. Pff. Desde criança sempre tive surtos de grandeza e ambição que poderiam ser confundidos com imaginação e criatividade. Já quis ser dona da Pixar (sim, da Pixar), trabalhar na Nasa (sim&#8230;na Nasa), na BBC, na CNN, yadda, yadda, yadda. Aposto que meus pais pensavam que adorável menininha sonhadora eu era. O problema é que ao rever meus planos profissionais aos 20 anos, continuo com as mesmas idéias. Quer dizer, eu arruinei minha improvável futura carreira na Nasa com minhas notas ridículas em física, mas ainda acredito que vou dominar o mundo.</p>
<p>Por hora, meus dois alvos principais são revistas bem acessíveis, claro. A primeira é a <a href="http://www.newyorker.com" target="_blank">New Yorker</a>, minha queridinha desde que descobri a magia do jornalismo literário. Com reportagens densas, relevantes e estilo único, a New Yorker tem um charme levemente prepotente irresistível. E as capas são impagáveis.</p>
<p>A outra eu infelizmente descobri há pouco tempo &#8211; através do meu oráculo online, o <a href="http://www.hunch.com/" target="_blank">Hunch</a>. A <a href="http://www.motherjones.com" target="_blank">Mother Jones</a> tem sua sede em São Francisco e é, aparentemente, ignorada por aqui. Antes da recomendação do Hunch, nunca nem sequer tinha ouvido seu nome. E olha que eu estou na faculdade para isso! Enfim, a publicação de nome inusitado é uma revista de jornalismo investigativo de veia liberal. Seu slogan é &#8220;<em><strong>smart, fearless journalism</strong></em>&#8220;. A revista é sustentada por doadores diversos (evitando a subordinação a uma determinada pessoa/companhia)  e não tem vínculo com nenhuma empresa. Além disso, é divertidíssima. Linguagem ágil, ácida, irônica. É esquerdista, pero no mucho. Ou seja, se propõe a investigar esquerda, direita, centro, desde que haja uma história. Nas palavras deles, &#8220;<em>n</em><em>othing makes us crankier than lefties who are as close-minded and unwilling to think things through as those whom they attack</em>&#8220;.  Tal frase foi a responsável por cativar essa leitora. Ah, Michael Moore foi editor antes de ficar famoso por seus polêmicos documentários.</p>
<p>Pronto, agora vocês já sabem onde estarei daqui a alguns anos. New Yorker, Mother Jones&#8230;ou hospício.</p>
<p>E prometo que da próxima vez escrevo sobre algo mais interessante do que os meus delírios.</p>
<br />Publicado emFuturo, Tédio Tagged: Futuro, Tédio <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/39/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=39&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Lorena</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>sobre o médico e o monstro.</title>
		<link>http://lameorcasual.wordpress.com/2009/08/11/sobre-o-medico-e-o-monstro/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 14:23:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[House]]></category>

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		<description><![CDATA[Nota: Postei essa &#8220;resenha&#8221; ano passado em um blog. Achei que ela merecia estar aqui. Não sou fã de listas. Não me agrada a idéia de agrupar filmes, séries, músicas e livros diferentes em uma mesma categoria que só considera dois rótulos: “Melhor” e “Pior”. Porém, como todo ser humano tem a necessidade de criar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=36&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 348px"><img src="http://www.daemonstv.com/images/fox/house_s4a.jpg" alt="Its not lupus. " width="338" height="450" /><p class="wp-caption-text">It&#39;s not lupus. </p></div>
<p><em>Nota: Postei essa &#8220;resenha&#8221; ano passado em um blog. Achei que ela merecia estar aqui. </em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<p>Não sou fã de listas. Não me agrada a idéia de agrupar filmes, séries, músicas e livros diferentes em uma mesma categoria que só considera dois rótulos: “Melhor” e “Pior”. Porém, como todo ser humano tem a necessidade de criar hierarquias até para objetos inanimados, eu não sou diferente. Contudo, minha lista não considera os “melhores” filmes ou livros, mas sim os que mais me tocaram de alguma maneira. Não posso dizer que são os mais fantásticos do mundo, mas posso dizer que foram relevantes na minha vida [<em>profundo</em>].</p>
<p>Então, vamos falar de séries. E de uma que eu particularmente considero uma obra prima da televisão. House.</p>
<p>Ainda estou procurando um trabalho tão genial quanto House na tela grande ou na pequena. É difícil encontrar uma série que se supere a cada temporada, a cada episódio sem se tornar um plágio de si mesma. House examina a sociedade, vira do avesso, mostra o que ninguém quer encarar, o feio, o cruel, a verdade, a mentira. Com certeza, diversas séries já cumpriram esse papel antes. Mas é também verdade que considero relativamente mais fácil dissecar os conceitos de moralidade quando se tem como personagens uma família de mafiosos [<em>sim, isso é uma indireta e, não, não tiro o crédito dessa produção, também genial</em>].</p>
<p>O mérito de House é conseguir expor tantas nuances, tantas facetas com tamanha suavidade e inteligência. Não nega, não afirma, não mostra o certo e não mostra o errado. Sugere. Não traz um herói, não traz um vilão. O paciente raramente é aquele deitado na maca e os episódios não são sustentados por átrios e ventrículos. O que instiga é a relação de cada um deles – pacientes e médicos – com as patologias e o que ela nos revela sobre cada um. O humano, não o biomédico. Um telespectador desavisado pode terminar um episódio perdido na terminologia, mas filosofando sobre as questões levantadas, revendo seus preconceitos ou os confirmando.</p>
<p>Os diálogos são brilhantes e os personagens fazem jus às suas falas. Porém, o homem que dá título à série merece um capítulo à parte. Que House é um médico ranzinza, qualquer um que assista as propagandas do Universal Channel sabe. Mas isso renderia uma minissérie e não cinco temporadas. House é infeliz. E se orgulha disso. Sente que sua “patologia” o torna diferente dos demais, da patética massa alegre e sorridente. Considera a felicidade superficial. Preta e branca, simplória. A tristeza, não. A tristeza é densa, tons de cinza em degradê. Sua insatisfação com tudo e todos o torna mais complexo.</p>
<p>Tendemos a acreditar que os personagens infelizes são um mosaico, enquanto os outros não passam de teletubbies alheios a essa intensa carga emocional humana. E, normalmente, é assim que a dramaturgia os trata. Outro mérito para House! Não há uma glamourização da tristeza. Obviamente, grande parte do charme e do interesse que o personagem desperta vem de seu comportamento anti-social. Porém, mesmo sendo um dos médicos mais brilhantes, House é o mais incompleto dos personagens. Evita pacientes, colegas de trabalho, procura afastar seus melhores amigos. Acredita que a amargura o torna&#8230;House. A perna que arrasta é muito mais um fardo emocional do que físico.</p>
<p>Contudo, essa não é a única receita de sucesso da série. Foreman, Wilson, Cuddy, Cameron, Chase, 13, Kutner, Taub mostram uma gama de personalidades variadas e não menos interessantes. Não são coadjuvantes, mas essenciais para a construção do protagonista, de modo que somente analisando suas relações pessoais podemos compor o quebra-cabeça.</p>
<p>Já são alguns anos de sucesso apoiados no ser humano. E seus problemas, claro. Físicos e psicológicos. E se você pouco se importa com todo esse conteúdo dicotômico e tudo o que menos precisa é uma sessão de auto-análise em frente à televisão, assista mesmo assim. É divertida. E não há nada de superficial nisso.</p>
<p>Para os que ainda não assistiram, a segunda promo da sexta temporada de House:  <em><a href="http://bit.ly/GTz2E" target="_blank">what happens when the doctor becomes the patient?</a></em></p>
<p><span style="font-size:x-small;"><em> </em></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;"><em> </em></span></p>
<p><em></p>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">Não sou fã de listas. Não me agrada a idéia de agrupar filmes, séries, músicas e livros diferentes em uma mesma categoria que só considera dois rótulos: “Melhor” e “Pior”. Porém, como todo ser humano tem a necessidade de criar hierarquias até para objetos inanimados, eu não sou diferente. Contudo, minha lista não considera os “melhores” filmes ou livros, mas sim os que mais me tocaram de alguma maneira. Não posso dizer que são os mais fantásticos do mundo, mas posso dizer que foram relevantes na minha vida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">Para evitar xingamentos direcionados aos texanos que um segundo texto sobre as eleições poderia provocar, vou fazer exatamente o que previ no primeiro post. Vamos falar de séries. E de uma que eu particularmente considero uma obra prima da televisão – sim, eu acredito que a televisão é capaz de produzir algo além do lixo habitual. House!</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">Ainda estou procurando um trabalho tão genial quanto House na tela grande ou na pequena. É difícil – praticamente impossível, hoje em dia – encontrar uma série que se supere a cada temporada, a cada episódio sem se tornar repetitiva ou um plágio de si mesma. House examina a sociedade, vira do avesso, mostra o que ninguém quer encarar, o feio, o cruel, a verdade, a mentira. Com certeza, diversas séries já cumpriram esse papel antes. Mas é também verdade que considero relativamente mais fácil dissecar os conceitos de moralidade quando se tem como personagens uma família de mafiosos – sem tirar o crédito dessas produções, também geniais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">O mérito de House é conseguir expor tantas nuances, tantas facetas com tamanha suavidade e inteligência. Não nega, não afirma, não mostra o certo e não mostra o errado. Sugere. Não tem um herói, não tem um vilão. O paciente raramente é aquele deitado na maca e os episódios raramente se sustentam em átrios e ventrículos. O que nos instiga é a relação de cada um deles – pacientes e médicos – com as patologias e o que ela nos revela sobre cada um. O humano e não o biomédico. Um telespectador desavisado pode terminar um episódio perdido na terminologia, mas filosofando sobre as questões levantadas, revendo seus preconceitos ou os confirmando.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">Os diálogos são brilhantes e os personagens fazem jus às suas falas. Porém, o homem que dá título à série merece um capítulo à parte. Que House é um médico ranzinza, qualquer um que assista as propagandas do Universal Channel sabe. Mas isso renderia uma minissérie e não quatro temporadas. House é infeliz. E se orgulha disso. Sente que sua “patologia” o torna diferente dos demais, da patética massa alegre e sorridente. Considera a felicidade superficial. Preta e branca, simplória. A tristeza, não. A tristeza é densa, tons de cinza em degradê. Sua insatisfação com tudo e todos o torna mais complexo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">Tendemos a acreditar que os personagens infelizes são um mosaico, enquanto os outros não passam de teletubbies alheios a essa intensa carga emocional humana. E, normalmente, é assim que a dramaturgia os trata. Outro mérito para House! Não há uma glamourização da tristeza. Obviamente, grande parte do charme e do interesse que o personagem desperta vem de seu comportamento anti-social. Porém, mesmo sendo um dos médicos mais brilhantes, House é o mais incompleto dos personagens. Evita pacientes, colegas de trabalho, procura afastar seus melhores amigos. Acredita que a amargura o torna&#8230;House. A perna que arrasta é muito mais um fardo emocional do que físico.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">Contudo, essa não é a única receita de sucesso da série. Foreman, Wilson, Cuddy, Cameron, Chase, 13, Ambitious Bitch mostram uma gama de personalidades variadas e não menos interessantes. Não são coadjuvantes, mas essenciais para a construção do protagonista, de modo que somente analisando suas relações pessoais podemos compor o quebra-cabeça.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">A série não se sustenta graças a cliffhangers fantásticos, dramas mexicanos ou explosões magníficas. São quatro anos de sucesso apoiados no ser humano. E seus problemas, claro. Físicos e psicológicos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">Enfim, eu sempre filosofo sobre filmes, livros e séries que me cativam. Mais uma vez, a necessidade de atravessar a superficialidade e de atingir o complexo&#8230;</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:423px;width:1px;height:1px;">E se você pouco se importa com todo esse conteúdo dicotômico e tudo o que menos precisa é uma sessão de auto-análise em frente à televisão, assista mesmo assim. É divertida. E não há nada de superficial nisso.</div>
<p></em></p>
<br />Publicado emSéries Tagged: House, Séries <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=36&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Its not lupus. </media:title>
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		<title>irmãos e irmãs.</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 16:47:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Brothers & Sisters]]></category>

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		<description><![CDATA[Típico programa de domingo. Almoço com a família recheado de conflitos adormecidos, insultos calados, tensão palpável e um desfile de figuras passivo-agressivas. Por sorte, minha família não costuma protagonizar esses momentos, mas quem não adora contemplar os problemas alheios e analisar um bando de personagens disfuncionais? Bom, eu gosto. Por isso, ontem resolvi parar de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=25&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px"><img src="http://images.eonline.com/eol_images/Entire_Site/20080606/425.brothers.sisters.060508.jpg" alt="A Grande Família? Nope." width="425" height="315" /><p class="wp-caption-text">&quot;A Grande Família&quot;? Nope.</p></div>
<p>Típico programa de domingo. Almoço com a família recheado de conflitos adormecidos, insultos calados, tensão palpável e um desfile de figuras passivo-agressivas. Por sorte, minha família não costuma protagonizar esses momentos, mas quem não adora contemplar os problemas alheios e analisar um bando de personagens disfuncionais? Bom, eu gosto.</p>
<p>Por isso, ontem resolvi parar de assistir HIMYM em loop e embarcar na minha mais nova aventura televisiva: Brothers &amp; Sisters. Mesmo após ouvir  ótimas recomendações e ter as três primeiras temporadas desde janeiro, adiei esse momento. Odeio assistir séries que já estão em temporadas avançadas. Mas como eu não resisto a um bom dramalhão (destaque para o <strong>bom</strong>), resolvi dar uma chance à família Walker.</p>
<p>Assisti 8 episódios seguidos e só resolvi dormir porque precisava acordar cedo para o estágio &#8211; aliás, estou nele. A série é muito boa. Sem cliffhangers magníficos, grandes polêmicas ou viradas geniais, conseguiu prender minha atenção por quase 8 horas. A proposta é simples e remete a algumas famílias que conheço. Pai morre inesperadamente deixando esposa, cinco filhos adultos ( e uma amante) com uma empresa à beira da falência e uma série de problemas. A trama é focada nas histórias desses irmãos, irmãs e a matriarca.</p>
<p>Até agora, posso comentar muito pouco, desenvolvo melhor esse post quando terminar a primeira temporada (o que deve acontecer&#8230;hoje). Porém, minhas primeiras impressões foram positivas. Cada um dos <strong>muitos</strong> personagens têm um propósito e um lugar de importância na trama maior. Temos do irmão caçula desajustado à primogênita que tenta equilibrar a presidência de uma empresa, um casamento, duas crianças e  suas próprias exigências de perfeição. Um breve comentário merece ser feito sobre os três personagens que mais me interessaram.</p>
<p><strong>Kitty Walker </strong> faz justiça à parcela de republicanos que têm cérebro.  Sustenta seus argumentos com clareza, firmeza e &#8211; pasmem! &#8211; inteligência. Não veio do Texas, não usa botas de cowboy, não atira em imigrantes e nem faz parte de algum grupo de extermínio de negros e homossexuais. É republicana até o último fio de cabelo por acreditar na força do meio em que foi criada &#8211; apesar da mãe democrata. Apesar de discordar de todos os seus argumentos, acho ótimo ver um debate real entre personagens esclarecidos, sem os conhecidos clichês estúpidos com sotaque sulista.</p>
<p><strong>Kevin Walker </strong>é meu queridinho. Advogado, é um gay sem pulinhos, brilhos, musicais da Broadway e amor por fashionistas. Segundo <strong>Scotty</strong>, refrea certos impulsos e se apresenta como contido e reservado por estar preso à própria homofobia. Fora do armário, mas ainda preso aos seus próprios preconceitos? Não sei, mas ganhou minha simpatia de graça.</p>
<p><strong>Sarah Walker </strong>foi promovida à presidência da empresa familiar quando o pai morreu. O novo cargo trouxe mais problemas do que o esperado. Sarah precisou assumir uma companhia à beira da falência, entra em conflitos diários e disputas pelo poder com o irmão <strong>Tommy, </strong>administra o casamento, cuida de uma filha pequena com diabetes e um filho. É a personagem &#8220;forte&#8221;, admirada e respeitada por todos, mas não sabe que rumo tomou sua vida e muito menos como colocá-la de volta aos eixos.</p>
<p>Depois falo sobre os irmãos restantes, o <strong>tio Saul</strong> e a mãe <strong>Nora Walker</strong>, interpretada pela genial Sally Fields. Por hora, só digo que se trata de uma ótima série para quem gosta de dramas diferentes dos vistos na novela das 8.</p>
<p><em><br />
</em></p>
<p><em>P.S.: Terceiro post em um blog não programado. Aliás, o único dos meus 455 blogs que não foi programado. Será que logo esse vai para frente?</em></p>
<br />Publicado emSéries Tagged: Brothers &amp; Sisters, Séries <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=25&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>o mundo de possibilidades sem twitter.</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 16:34:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tédio]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem diria, esse blog terá DOIS posts. Yay! Como os meus leitores já devem saber pelo primeiro texto, após passar pouco mais de 1h sem o twitter, criei um blog. Agora que a ferramente mais inútil e divertida de todos os tempos voltou, parei para pensar. Se em apenas 1h sem o site eu decidi [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=18&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem diria, esse blog terá DOIS posts. Yay!</p>
<p>Como os meus leitores já devem saber pelo primeiro texto, após passar pouco mais de 1h sem o twitter, criei um blog. Agora que a ferramente mais inútil e divertida de todos os tempos voltou, parei para pensar. Se em apenas 1h sem o site eu decidi entrar na WordPress, fazer um cadastro, escolher um layout e digitar mais do que 140 caracteres, o que eu faria se passasse uma semana sem micro-blogging? Pense nas possibilidades. Aposto que ao fim dos sete dias seria autora de alguns contos e já teria lido todos os livros acumulados na estante. Faria trabalho voluntário, lutaria pela paz mundial, combateria a gripe suína! E entraria em uma academia, claro. E provavelmente trabalharia enquanto estou no trabalho&#8230;</p>
<p>Enfim, que atraso de vida. Acho que a verdadeira pergunta do twitter deveria ser &#8220;What are you doing HERE, dude?!&#8221;.</p>
<p>Já volto, vou contar isso aos meus followers.</p>
<br />Publicado emTédio, Twitter Tagged: Twitter <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lameorcasual.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lameorcasual.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lameorcasual.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lameorcasual.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lameorcasual.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lameorcasual.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lameorcasual.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lameorcasual.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lameorcasual.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lameorcasual.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lameorcasual.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lameorcasual.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lameorcasual.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lameorcasual.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lameorcasual.wordpress.com&amp;blog=8896645&amp;post=18&amp;subd=lameorcasual&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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