the dark of the matinée is ours.

can't stop feeling.
Eu sou naturalmente exagerada e hiperbólica, com uma séria tendência a discorrer durante horas sobre os acontecimentos mais banais. Então escrever um pequeno texto sobre algo épico é mais do que desafiador. É virtualmente impossível. Sim, o show do Franz Ferdinand, na última sexta-feira (19), foi épico. Histórico. Pergunte a qualquer um que tenha presenciado a explosão de sons, cores e champagne. O equivalente a uma grande descarga elétrica. Deixamos a Fundição Progresso com uma bem-vinda sensação de total exaustão mental e física. Ouvidos preenchidos por zumbidos, cérebro dominado pela música. E o efeito não deve passar tão cedo.
Nosso grupo praticamente iniciou a fila com 8 horas de antecedência – completamente desnecessário, diga-se de passagem – e passou a tarde jogando poker, super trunfo, uno e entoando “Ulysses”, “Take me out” e “Jacqueline” com direito a guitarras e baixos imaginários. Pintamos cartazes, desenhamos em balões e disfarçamos muito bem a ansiedade pelo início do show…até os portões se abrirem e corrermos pelas nossas vidas em direção à grade.
A nuvem de calor era palpável. E depois de muitas horas no sol, não estávamos exatamente hidratados. Em meio a empurrões e disputas territoriais dignas de War, não foram poucas as pessoas que desmaiaram, para total desespero dos seguranças. Mas nada disso pareceu ter a mínima importância quando os escoceses invadiram o palco com “Bite Hard”. O setlist foi espetacular. Kapranos, McCarthy, Hardy e Thomson dominaram o mundo por quase duas horas.
Sem deixar de lado as canções do “Tonight”, clássicos como “Michael”, “Auf Achse” e “The Fallen” foram perfeitamente integrados à mistura. E a platéia delirou quando os quatro assumiram a percussão e quase destruiram a bateria em “Outsiders”. Kapranos subiu no amplificador, McCarthy escalou as estruturas do palco. Uma tentativa desastrosa de ‘parabéns’ em portunglês pareceu ser suficiente para orgulhar o vocalista. A interação foi perfeita. Banda e público estavam em perfeita sintonia, se dedicando inteiramente ao momento.
Talvez por isso Kapranos tenha decidido nos presentear com um majestoso stage dive. Passamos o show inteiro esticando os braços toda vez que alguém ameaçava se aproximar da grade, sem sucesso. Até que Alex chegou bem perto, pediu autorização, sinalizou que iria pular e voou. Alguns momentos transcorrem em câmera lenta. Foi o caso. Eu tento parecer uma pessoa séria e alheia à histeria adolescente, mas por vezes não tenho sucesso. Céus, Alex Kapranos iria pular em cima de mim. Estiquei os braços com um sorriso besta e, enquanto ele caia, dois pensamentos batalhavam na minha cabeça: “Meu Deus, Alex Kapranos está pulando em cima de mim!” e “É, é assim que eu vou morrer”. E eu não estava muito errada. Vivi algo muito parecido com a cena da manada atropelando Mufasa em “O Rei Leão”. Quando eu e mais meia dúzia de pessoas seguramos Alex no ar, outras muitas o puxaram para baixo ou pularam descontroladas na ânsia de tocá-lo. Quando o derrubaram, obviamente, me derrubaram. Fiquei imóvel no chão da Fundição Progresso, não por escolha própria, mas porque alguns outros 10 fãs também caíram por cima de mim. Meu pé foi esmagado, não conseguia mexer meus braços e enxergava paralisada as cenas que se sucediam logo acima da minha cabeça. Uma menina quase desmaiou do meu lado, outra gritava que iria quebrar o braço e eu simplesmente não conseguia falar nada. Olhei ao redor, puxei a barra da calça de um garoto logo atrás de mim. O rapaz era uma alma solícita e se esforçou bastante para me tirar dos “escombros”. Passei alguns minutos completamente muda até que encontrei Sofia e os outros correndo na minha direção, me abraçando e perguntando se eu estava bem. E eu, inexplicavelmente, estava muito, muito bem. Mais viva e agitada do que nunca. Afinal, eu quase fui esmagada por Alex Kapranos. O quão estranhamente legal é isso?
E como o que não vira tragédia se transforma em uma ótima história, saímos todos muito contundidos e satisfeitos com a nossa saga. Orgulhosos por termos presenciado um show maravilhoso e aliviados por estarmos inteiros, com exceção da audição seriamente prejudicada, alguns roxos e joelhos esfolados. E que venha o próximo espetáculo. Franz Ferdinand nunca é demais.
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- Published:
- 22/03/2010 / 6:10 PM
- Categoria:
- shows
- Tags:
- franz ferdinand, Megazine, shows
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