sobre o médico e o monstro.

Its not lupus.

It's not lupus.

Nota: Postei essa “resenha” ano passado em um blog. Achei que ela merecia estar aqui.


Não sou fã de listas. Não me agrada a idéia de agrupar filmes, séries, músicas e livros diferentes em uma mesma categoria que só considera dois rótulos: “Melhor” e “Pior”. Porém, como todo ser humano tem a necessidade de criar hierarquias até para objetos inanimados, eu não sou diferente. Contudo, minha lista não considera os “melhores” filmes ou livros, mas sim os que mais me tocaram de alguma maneira. Não posso dizer que são os mais fantásticos do mundo, mas posso dizer que foram relevantes na minha vida [profundo].

Então, vamos falar de séries. E de uma que eu particularmente considero uma obra prima da televisão. House.

Ainda estou procurando um trabalho tão genial quanto House na tela grande ou na pequena. É difícil encontrar uma série que se supere a cada temporada, a cada episódio sem se tornar um plágio de si mesma. House examina a sociedade, vira do avesso, mostra o que ninguém quer encarar, o feio, o cruel, a verdade, a mentira. Com certeza, diversas séries já cumpriram esse papel antes. Mas é também verdade que considero relativamente mais fácil dissecar os conceitos de moralidade quando se tem como personagens uma família de mafiosos [sim, isso é uma indireta e, não, não tiro o crédito dessa produção, também genial].

O mérito de House é conseguir expor tantas nuances, tantas facetas com tamanha suavidade e inteligência. Não nega, não afirma, não mostra o certo e não mostra o errado. Sugere. Não traz um herói, não traz um vilão. O paciente raramente é aquele deitado na maca e os episódios não são sustentados por átrios e ventrículos. O que instiga é a relação de cada um deles – pacientes e médicos – com as patologias e o que ela nos revela sobre cada um. O humano, não o biomédico. Um telespectador desavisado pode terminar um episódio perdido na terminologia, mas filosofando sobre as questões levantadas, revendo seus preconceitos ou os confirmando.

Os diálogos são brilhantes e os personagens fazem jus às suas falas. Porém, o homem que dá título à série merece um capítulo à parte. Que House é um médico ranzinza, qualquer um que assista as propagandas do Universal Channel sabe. Mas isso renderia uma minissérie e não cinco temporadas. House é infeliz. E se orgulha disso. Sente que sua “patologia” o torna diferente dos demais, da patética massa alegre e sorridente. Considera a felicidade superficial. Preta e branca, simplória. A tristeza, não. A tristeza é densa, tons de cinza em degradê. Sua insatisfação com tudo e todos o torna mais complexo.

Tendemos a acreditar que os personagens infelizes são um mosaico, enquanto os outros não passam de teletubbies alheios a essa intensa carga emocional humana. E, normalmente, é assim que a dramaturgia os trata. Outro mérito para House! Não há uma glamourização da tristeza. Obviamente, grande parte do charme e do interesse que o personagem desperta vem de seu comportamento anti-social. Porém, mesmo sendo um dos médicos mais brilhantes, House é o mais incompleto dos personagens. Evita pacientes, colegas de trabalho, procura afastar seus melhores amigos. Acredita que a amargura o torna…House. A perna que arrasta é muito mais um fardo emocional do que físico.

Contudo, essa não é a única receita de sucesso da série. Foreman, Wilson, Cuddy, Cameron, Chase, 13, Kutner, Taub mostram uma gama de personalidades variadas e não menos interessantes. Não são coadjuvantes, mas essenciais para a construção do protagonista, de modo que somente analisando suas relações pessoais podemos compor o quebra-cabeça.

Já são alguns anos de sucesso apoiados no ser humano. E seus problemas, claro. Físicos e psicológicos. E se você pouco se importa com todo esse conteúdo dicotômico e tudo o que menos precisa é uma sessão de auto-análise em frente à televisão, assista mesmo assim. É divertida. E não há nada de superficial nisso.

Para os que ainda não assistiram, a segunda promo da sexta temporada de House:  what happens when the doctor becomes the patient?

Não sou fã de listas. Não me agrada a idéia de agrupar filmes, séries, músicas e livros diferentes em uma mesma categoria que só considera dois rótulos: “Melhor” e “Pior”. Porém, como todo ser humano tem a necessidade de criar hierarquias até para objetos inanimados, eu não sou diferente. Contudo, minha lista não considera os “melhores” filmes ou livros, mas sim os que mais me tocaram de alguma maneira. Não posso dizer que são os mais fantásticos do mundo, mas posso dizer que foram relevantes na minha vida.
Para evitar xingamentos direcionados aos texanos que um segundo texto sobre as eleições poderia provocar, vou fazer exatamente o que previ no primeiro post. Vamos falar de séries. E de uma que eu particularmente considero uma obra prima da televisão – sim, eu acredito que a televisão é capaz de produzir algo além do lixo habitual. House!
Ainda estou procurando um trabalho tão genial quanto House na tela grande ou na pequena. É difícil – praticamente impossível, hoje em dia – encontrar uma série que se supere a cada temporada, a cada episódio sem se tornar repetitiva ou um plágio de si mesma. House examina a sociedade, vira do avesso, mostra o que ninguém quer encarar, o feio, o cruel, a verdade, a mentira. Com certeza, diversas séries já cumpriram esse papel antes. Mas é também verdade que considero relativamente mais fácil dissecar os conceitos de moralidade quando se tem como personagens uma família de mafiosos – sem tirar o crédito dessas produções, também geniais.
O mérito de House é conseguir expor tantas nuances, tantas facetas com tamanha suavidade e inteligência. Não nega, não afirma, não mostra o certo e não mostra o errado. Sugere. Não tem um herói, não tem um vilão. O paciente raramente é aquele deitado na maca e os episódios raramente se sustentam em átrios e ventrículos. O que nos instiga é a relação de cada um deles – pacientes e médicos – com as patologias e o que ela nos revela sobre cada um. O humano e não o biomédico. Um telespectador desavisado pode terminar um episódio perdido na terminologia, mas filosofando sobre as questões levantadas, revendo seus preconceitos ou os confirmando.
Os diálogos são brilhantes e os personagens fazem jus às suas falas. Porém, o homem que dá título à série merece um capítulo à parte. Que House é um médico ranzinza, qualquer um que assista as propagandas do Universal Channel sabe. Mas isso renderia uma minissérie e não quatro temporadas. House é infeliz. E se orgulha disso. Sente que sua “patologia” o torna diferente dos demais, da patética massa alegre e sorridente. Considera a felicidade superficial. Preta e branca, simplória. A tristeza, não. A tristeza é densa, tons de cinza em degradê. Sua insatisfação com tudo e todos o torna mais complexo.
Tendemos a acreditar que os personagens infelizes são um mosaico, enquanto os outros não passam de teletubbies alheios a essa intensa carga emocional humana. E, normalmente, é assim que a dramaturgia os trata. Outro mérito para House! Não há uma glamourização da tristeza. Obviamente, grande parte do charme e do interesse que o personagem desperta vem de seu comportamento anti-social. Porém, mesmo sendo um dos médicos mais brilhantes, House é o mais incompleto dos personagens. Evita pacientes, colegas de trabalho, procura afastar seus melhores amigos. Acredita que a amargura o torna…House. A perna que arrasta é muito mais um fardo emocional do que físico.
Contudo, essa não é a única receita de sucesso da série. Foreman, Wilson, Cuddy, Cameron, Chase, 13, Ambitious Bitch mostram uma gama de personalidades variadas e não menos interessantes. Não são coadjuvantes, mas essenciais para a construção do protagonista, de modo que somente analisando suas relações pessoais podemos compor o quebra-cabeça.
A série não se sustenta graças a cliffhangers fantásticos, dramas mexicanos ou explosões magníficas. São quatro anos de sucesso apoiados no ser humano. E seus problemas, claro. Físicos e psicológicos.
Enfim, eu sempre filosofo sobre filmes, livros e séries que me cativam. Mais uma vez, a necessidade de atravessar a superficialidade e de atingir o complexo…
E se você pouco se importa com todo esse conteúdo dicotômico e tudo o que menos precisa é uma sessão de auto-análise em frente à televisão, assista mesmo assim. É divertida. E não há nada de superficial nisso.


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